INÁ+ARTE: Artista Pedro Luis usa fotografias antigas para contar histórias do presente

Arte e arquitetura sempre andaram juntas

Não são poucos os moradores que gostam de trazer vida ao apê ou à casa por meio de obras, desde quadros até esculturas. Essa é uma ótima opção para quem quer uma morada personalizada e cheia de vida. O projeto que fizemos no apartamento Eduardo e Clarissa define bem isso.

Para além do valor decorativo, a arte é feita para que artistas contem suas histórias e nos impactem com ela. Sabendo disso, decidimos começar o INÁ+ARTE, projeto que busca trazer, tanto para o blog como para o YouTube e Instagram, nossa visão sobre arte.

Juntar papel, cola, barbante e tinta parece matéria fácil à primeira vista, mas colocar esses ingredientes juntos para contar histórias e causar emoção requer muito trabalho. Da parte do artista, exige inspiração, experimentação e a capacidade de olhar para dentro (de si e dos outros). Essa é a essência que segue o trabalho de Pedro Luís, o artista carioca radicado em São Paulo desde 2014, que usa das técnicas manuais, como bordado, colagem e pintura, para colocar para fora sua visão sobre o mundo e sobre ele mesmo.

O artista largou a publicidade para se dedicar às suas obras

O interesse pelas artes não foi exatamente o primeiro interesse do artista. Sua primeira formação foi em Publicidade e Propaganda pela PUC do Rio de Janeiro, e logo depois de pegar o canudo decidiu migrar para São Paulo. Aqui, iniciou o curso de Artes Plásticas na Escola Panamericana e, em paralelo, trabalhava como diretor de arte.

Mais caótica quanto à cidade nova era a sua carga horária trabalhando em agências de publicidade. A jornada é tão intensa quanto a de um médico e é normal passar noites em claro para entregar trabalhos no prazo.

“Eu vi que esse estilo de vida não era o que eu queria para mim, essa coisa de trabalhar até altas horas. Não é como eu sonhava estar a longo prazo”, conta Pedro. Cada vez mais, naquela época, o desejo de tornar a arte sua profissão foi se intensificando, o que tornou difícil conciliar as duplas jornadas.

O empurrão para focar na arte veio em 2015, quando foi cortado da agência em que trabalhava e, seguindo a sugestão de uma amiga, foi passar uma temporada em um retiro na Chapada dos Veadeiros, onde, como voluntário, ele pintou quatro grandes murais. “Foi ali que muita coisa deixou de fazer sentido para que outras começassem a fazer sentido”, explica.

Uma experiência transformadora para se descobrir o que quer

Ao voltar para São Paulo, levou mais a sério ainda o curso de Artes Plásticas. Com o apoio de um dos professores e o desejo de experimentar diversas técnicas, Pedro conseguiu desenvolver uma linguagem única. E isso não é só o que ele diz. Todo trabalho que finalizava em sala de aula ia parar no feed do Instagram. Assim, sua vida pessoal ficou em segundo plano e as obras despertaram o interesse do público. Hoje, o artista conta com mais de 21mil seguidores na rede social.

Em sua época de experimentação, decidiu que o bordado e as fotografias seriam primordiais em seu processo criativo. Sempre se interessou pelo bordado, tanto por um valor estético como sentimental – por causa da mãe da avó. Então, decidiu aprender os pontos básicos com uma amiga. Sempre colecionou fotografias antigas – entre outras coisas, já que Pedro se considera um “acumulador de coisinhas” – e se apropriou do poder delas de reviver histórias do passado para construir novas narrativas.

Trabalhos autobiográficos com a memória alheia

A busca pelo autoconhecimento e pelo entendimento de suas questões internas foi o que fez surgir a primeira série, intitulada “Trabalhos autobiográficos com a memória alheia”, que consiste em uma série de fotografias com frases bordadas que falam sobre o amor, a falta dele, a desilusão e as relações afetivas de forma irreverente.

Assim, foi possível fazer com que suas histórias transcendessem e fossem parar na vivência dos outros. Com outros personagens, foi possível contar suas descobertas, seus desejos e suas visões, tudo com um existencialismo delicado e singelo.

Com essa intenção, o artista é cauteloso. Os olhos rasurados, um cuidado importante para a mensagem da obra, ressignificam as memórias registradas ali originalmente. “Essa foto deixou de contar a história que contava antes para agora contar a minha.”

Confira a entrevista com o artista!

Marcos Mendes, arquiteto do INÁ, bateu um papo com o Pedro sobre sua trajetória, processos artísticos e o papel da arte na arquitetura e decoração. Você pode conferir a conversa aqui embaixo!